Artistas promovem espetáculo Corpreto no Festival de Inverno 2018

Você já conhece o grupo que realiza o Corpreto? E o novo espetáculo que eles apresentaram na programação do Potência da Periferia? Se você não conhece, vamos juntos embarcar nesse mais novo espetáculo do grupo, que foi apresentado na programação do Festival de Inverno 2018! Para nos ajudar nessa, nada melhor do que alguém que vive o espetáculo, conversamos com Giovany de Oliveira, de 25 anos ,que nos deu mais informações sobre o grupo e sobre a peça.

A peça foi criada coletivamente e busca apresentar as questões de genocídio da população negra e a razão do esquecimento cultural das matrizes. O espetáculo que envolve canto e dança, conta a história desde o início da diáspora até agora debatendo a forma como a população negra é vista e tratada atualmente.

Mas e o grupo de artistas que apresentam o CORPRETO? Ele nasce a partir de uma performance chamada “Por Aqui” elaborado por Giovany em 2015, a performance trabalhava com ironia ao se apropriar de um poema português, representando a apropriação do texto do colonizador que durante séculos representou o contrário, aquele que se apropriou dos bens brasileiros. O criador da performance atribui o desejo de trabalhar as questões raciais em conjunto com seu conhecimento cênico após o seu reconhecimento negro, aflorado na Universidade Federal de Ouro Preto. Com o passar do tempo, da performance foi criado o grupo, que proporcionou um intercâmbio de literaturas e bibliografias, e também criações de Giovany como ele nos mencionou “Alguns trechos eu escrevi, por exemplo,  “A receita desigualdade social ao molho branco” um texto que tenta retratar um pouco do genocídio da juventude negra e outras questões do século XXI.”

Foto: Mariana Paes

É nítido que cada parte da peça tem um significado muito rico, por isso o produtor Giovany de Oliveira nos explica como pensou o desenrolar do espetáculo “A gente começa com uma dança de orixá, eu danço pra Iemanjá minha mãe. Pra gente, significa a presença do negro antes da diáspora, anda na África. Depois, “Navio Negreiro” de Castro Alves para já pensar a literatura brasileira e essa progressão histórica. Esse é o processo diaspórico acontecendo, a saída da África para o Brasil à força. E as implicações que esse processo teve antes e depois na nossa performatividade hoje. Após navio Negreiro, saltamos para o século XXI com “Receita de desigualdade social ao molho branco”. Já tentamos refletir da perspectiva de quem olha pra trás, olha pra agora e olha pra frente, denunciando as questões de agora. Em seguida vem um conto chamado “Curso superior” do autor brasileiro Marcelino Freire, publicado no livro “Contos Negreiros” que usamos em âmbito acadêmico. Finalizamos caminhando para um texto autoral que costura as cenas e chega na música cor preta. O espetáculo pertence a juventude negra brasileira e isso não significa que não seja um convite ao diálogo a outras pessoas, é uma celebração para todo o público.”

Foto: Mariana Paes



O criador da performance ressaltou a importância de estar no Chico Rei pelo suporte e visibilidade que proporcionam. Ressaltou ainda a importância de eixos como o potência da periferia e o caravana festival, que são capazes de criar uma cultura de pertencimento na população local.

Foto: Mariana Paes

Além de ser um grande espetáculo, ele é capaz de estreitar os laços de identificação dos jovens, não é mesmo? Eventos como esse não poderiam faltar na programação do Festival de Inverno 2018!

 

Texto: Paulo Eduardo
Cobertura: Mariana Paes

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