Potência da Periferia promove mesa que debate pluralidade na arquitetura

O que você sabe sobre Espacialidades descoloniais: territórios, patrimônios e arquiteturas em harmonia com a natureza? Vem conhecer um pouco sobre o assunto!

Uma conversa sobre o assunto teve início às 17h30 deste sábado no Complexo da Juventude em Ouro Preto, e contou com a presença de Andréia MoAssab, professora de arquitetura da Universidade da Integração Latino Americana.

Os participantes discutiram sobre os aprendizados através da arquitetura e qual o papel da educação para construir novas narrativas dentro desse universo. Foram dados vários exemplos de como as intervenções no ambiente em que habitamos são realizadas e como essas escolhas significam algo, ou seja, como lidamos e nos comportamos diante dos espaços. Nesse momento a professora deu um exemplo de construção em que uma árvore foi preservada e o quanto isso é importante, significa muito não é mesmo?

Foi discutido ainda quem são os sujeitos que estão por trás das construções de cidades históricas como Ouro Preto, esse sujeito é o negro! Andréia cita Quijano para dizer que “quem carrega o saco de cimento é o trabalhador negro”.

A professora falou sobre cidades que carregam sofrimento, que estas cidades foram construídas pelas mãos negras e que isso é importante de ser abordado na arquitetura.

A arquitetura brasileira é apresentada como uma área de perspectiva branca. Como exemplo, a professora diz que de 300 desenhos arquitetônicos que ela avaliou, apenas três projetos eram feitos por negros. Perguntas como: “Para quem está sendo feita a arquitetura?” e “Para quem estão projetando?” foram levantadas.

Foto: Karine Costa

A professora Andréia Mossab conversou com a gente, falando sobre o Festival e sua participação, confira!

EQUIPE: Como foi participar do Festival de Inverno como palestrante?

Andréia: Foi muito interessante. Eu acho que inclusive essa proposta de painel que se chama “Potência da Periferia”, é muito importante num festival, como esse festival de Ouro Preto, até para tirar as discussões do lugar comum, que eu acredito que há muitos anos acontece no Festival. Então eu acho que é um festival riquíssimo e fundamental de ser mantido e valorizado nas próximas edições.

E: Qual a importância do evento para você?

A: Gostaria mesmo de falar sobre a importância do painel. Porque a gente tem uma cidade histórica, construída com a energia e sofrimento das pessoas negras, cujo debate não está aparecendo quando se fala dessa cidade histórica. Então eu acho que sair do Centro histórico, sair para outras narrativas, entender a construção de conhecimento em outros espaços e lugares da cidade, trazer uma mesa pra dentro dessa ocupação é fundamental para uma maior diversidade do debate, para uma democratização do debate e que para o Festival de Inverno, cumpre de uma melhor maneira a função social do dinheiro público que é gasto num Festival dessa natureza.

Foto: Karine Costa

A mesa reforçou sobre a importância da pluralidade na arquitetura, na falta de material/referencial bibliográfico que mostre a arquitetura africana e afro latina. E claro, a importância de que atividades como esta que aconteceu ontem, chegue até a periferia para aproximar o conhecimento de outras pessoas.

Fascinante participar de mesas como essa não é? E se você não quiser perder nenhum evento do Festival de Inverno 2018, fique ligadinho na programação!

Texto: Paulo Eduardo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s